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CONHECIMENTO CIENTÍFICO E FORMAÇÃO ÉTICA NA MEDICINA

DISCIPLINA : EDUCAÇÃO ESCOLAR : A CONSTRUÇÃO DOS SABERES E DAS PRÁTICAS E SEUS FUNDAMENTOS
PROFESSORA : Dra MARIA AUXILIADORA MOREIRA DOS SANTOS SCHMIDT
TRABALHO: CONHECIMENTO CIENTÍFICO E FORMAÇÃO ÉTICA NA MEDICINA
ALUNO: CARLOS EHLKE BRAGA FILHO

1 Introdução

 

Apagar as diferenças, especialmente aquelas que questionam o modelo de sociedade vigente, gera a luta e a violência: o processo de homogeneização da ideologia arma uma série de procedimentos de exclusão ao hierarquizar os universos culturais.

É baseado nesta idéia que passo a discutir o papel das escolas, e especialmente a médica como mecanismo para reprodução da divisão do trabalho nas sociedades atuais e propor um novo modelo de currículo introduzindo a disciplina de bioética na área da saúde.

Abordarei aqui também o sentido de cultura como aspecto de diferenciação na sociedade, e que gera a discriminação dos considerados incultos para os padrões sociais ou seja o contingente de desajustados que ajudam a manter uma ideologia que move as engrenagens de um sistema produtivo que chamamos de capitalismo especialmente aplicado no ensino médico.

A escola médica ,hoje é mais uma forma de exclusão social , embora ela aparentemente trabalhe com o conhecimento científico como finalidade; esse conhecimento necessita ser diferentemente ensinado dentro de uma perspectiva humanística do ser humano.

É preciso mostrar indignação contra o ensino no modelo atual que mostra um baixo comprometimento social e não discute até onde o aparelho formador dos médicos tem capacidade para gerar, reproduzir ou inculcar valores.

Não se discute quais os aspéctos éticos e humanos necessários para a formação futura do médicc.

O estudante já no início do curso percebe que só terá sucesso econômico se escolher especialidades que são baseadas em aparelhos ou laboratórios.

 

 

2 Conhecimento Técnico, Desajustamento e Estado: A Mercantilização da Cultura no Curso de Medicina.

"Num pequeno volume de histórias para crianças recém alfabetizadas, uma delas conta mais ou menos o seguinte. Leonardo, o Urso e Ricardo, o Alce, encontram-se na floresta. Leonardo, obviamente o mais esperto dos dois, e alguém que sabe das coisas, pergunta o seu amigo se ele gosta de charadas. Ricardo fica ali parado, refletindo sobre a pergunta. De repente, num lampejo de inteligência, responde algo como o seguinte: "Bem, não sei. Qual é o gosto delas? " Leonardo, exasperado, com um olhar de desprezo, grita para seu amigo: "Escuta, uma charada não é algo que se coma! " Ricardo agora compreende, naturalmente. E diz: "É claro. Já sei. É uma coisa para beber" 1

Um grande número de Leonardos insiste em ensinar a única forma de interpretar um fenômeno, embora neste caso seja a escola a não uma charada. Muitos reformadores de currículos e pesquisadores educacionais, me dizem que as escolas são os veículos de uma democracia baseada no mérito. Uma pequena parte interpreta as escolas de forma mais estrutural, escolas são simplesmente mecanismos para a reprodução da divisão do trabalho.

Pode-se discutir e concluir de forma mais pragmática sobre as escolas , uma teoria que seja um pouco mais complexa que aquela contida na teoria unidimensional da recriação de uma força de trabalho hierárquica e que ainda assim nos ajude a explicar tanto algumas das características internas que nós sabemos que as escolas têm quanto as conexões entre essas características e uma economia inócua?

Verificar de que maneira os professores e alunos "negociam" suas realidades respectivas na sala de aula, o acordo tácito de submissão à globalização, que tão somente ampliou as diferenças entre pobres e ricos.

Descrever um fenômeno qualquer não é necessariamente o mesmo que explicar por que ele veio a existir.

Podemos explicar, portanto, a estrutura, que buscará revelar as conexões entre a criação e a atribuição de coisas tais como condições culturais e econômicas que podem oferecer uma série de razões para a existência dessas condições.

Sobretudo a hegemonia é construída pelas nossas próprias práticas cotidianas e a realidade na prática médica. É constituída pelo conjunto de ações e significados de senso comum que constituem o mundo social tal qual a conhecemos e que nem sempre estamos preparados e em condições de mudar.

3 O que as escolas médicas fazem e o que elas não fazem

O desajustamento dos indivíduos na escola, e fora delas tende a fazer pensar que existem pessoas que são diferentes e inferiores, ainda mais no curso de medicina onde o aluno ele próprio se considera um privilegiado e dotado de inteligência superior aos demais . Pode-se dizer aqui que o desajustamento é "merecido" pelo próprio desajustado, os próprios colegas de curso são os primeiros a desestimular os colegas estudantes.

Os educadores por sua vez empregam meios para pensar sobre, planejar e avaliar, à vida escolar, esses meios são consistentemente destorcidos em favor das regularidades de desigualdade social existentes, com o objetivo consciente ou não de manter o sistema pois ele lhe dá privilégios.

As escolas médicas não são tão meritocráticas "esperaríamos que a relação entre as notas nos testes escolares e o êxito na vida adulta profissional aumentasse com o tempo, e que a relação entre familiar e o êxito adulto caísse, tem havido pouca diminuição na correlação entre origem social e êxito escolar.

Os filhos de médicos em geral são os melhores profissionais médicos e os filhos das pessoas mais simples se tornam profissionais medianos

Baseado nesta idéia podemos entender que um dos papéis sociais latentes da escola é o de "amplificação do desajustamento". Isto é, a escola naturalmente gera certos tipos de desajustamentos, elas são órgãos reprodutivos na medida em que elas ajudam a selecionar e a titular a força de trabalho. Esses motivos ajudam a manter o privilégio por meios culturais, ao tomar a forma, e o conteúdo da cultura e do conhecimento legítimo a ser preservado e transmitido.

As escolas, são também agentes no processo de criação e recriação de uma cultura dominante eficaz. Elas ensinam normas, valores, disposições e uma cultura, que contribuem para a hegemonia ideológica dos grupos dominantes. As escolas ajudam a legitimar o conhecimento novo e as novas classes e os novos estratos sociais.

A teoria do capital humano e a teoria de alocação afirma que as escolas são agentes importantes de crescimento econômico e de mobilidade. Por isso o treinamento técnico generalizado, mobilidade e crescimento econômico são fatores que estão relacionados. O planejamento cuidadoso da "força de trabalho" e a estimulação de currículos técnicos e científicos na área de saúde, voltados para a ascensão profissional e se desenvolvem em cadeia, de maneira que quando o crescimento econômico se torna mais intenso, há mais estimulação para concorrência no nível técnico, onde há uma exclusão natural de um contingente de força de trabalho não técnica e não preparada da forma exigida pelo crescimento econômico (supressão do capitalismo).

Como exemplo cito a especialidade médica chamada de anatomia patológica onde só os pós formados detentores do capital é que poderão sobreviver e contratarão colegas patologistas para serem seus empregados pois é impossível a aquisição de aparelhagem para o laboratório, só os que possuem capital poderão adquirir e manter a empresa.

Os teóricos afirmam que as escolas não estão aí para estimular a mobilidade generalizada. Ao invés disso, elas atuam basicamente como mecanismos de classificação. Elas distribuem os indivíduos pelos seus "lugares apropriados" dentro da divisão hierárquica do trabalho e transmitem as disposições, normas e valores necessários aos trabalhadores para sua participação eficaz.

Em essência, no capitalismo avançado, ao invés de um único sistema público escolar, existem dois. Cada um desses sistemas ensina diferentes normas, valores e disposições, dependendo da classe social e da trajetória econômica de cada pessoa. A escola, nesse caso, atua como um filtro entre a família e o mercado de trabalho. Ela define o indivíduo como normal ou desajustado ou pelo menos ela dirá quem participará do sistema e quem será usado por ele.

Sobretudo interação, bastante complexa, entre o papel da escola na produção de agentes para a divisão social do trabalho (um papel que os economistas políticos da educação reconhecem) e o lugar da escola como uma forma de produção de capital cultural.

 

4 Conhecimento Escolar e Acumulação de Capital

As instituições econômicas estão organizadas de modo que certas classes aumentem sua fatia do capital econômico, a escola faz a mesma coisa. Para Bourdieu, o capital cultural pode ser resgatado nas escolas de forma que sua dominação é mantida. No nosso sistema econômico, um modelo, que está primordialmente preocupado com a produção de lucro e apenas secundariamente com a distribuição de recursos e empregos, o conhecimento é continuamente eficientemente produzido, na própria escola, o nível baixo de rendimento escolar por parte dos estudantes pertencentes a grupos das "minorias, das crianças pobres, e assim por diante, pode ser tolerado e será até estimulado sub-liminarmente. Isso tem menos conseqüências para a economia do que a geração do conhecimento em si.

As escolas públicas estão formando alunos para os serviços públicos ,já as escolas privadas em geral se preocupam com o mercado.

O conhecimento técnico não é necessariamente uma mercadoria neutra numa economia capitalista e especificamente numa escola médica, e os meios de produção não são apenas fábricas e máquinas; eles são também a tecnologia e a ciência incorporadas nas máquinas, laboratórios e instalações. O conhecimento técnico, de forma geral, tem sido produzido e organizado de forma a beneficiar os interesses empresariais na área da saúde por esta razão a dependência tecnológica que ensina o aluno a raciocinar somente com exames complementares[ tecnologia ] e não com a anamnese [ história pessoal ] onde ele impediria o lucro com a doença.

A função social da divisão hierárquica do trabalho baseada em critérios técnicos, portanto, era não apenas a de deficiência técnica, mas a de acumulação, esse monopólio significou o controle não simplesmente de mercados e do equipamento e instalações, mas também da própria ciência médica, mas a explicação vale para outras ciências técnicas . Essa transformação em capital é na medida em que a indústria vincula-se cada vez mais à divisão e ao controle do trabalho e às inovações técnicas, ela necessitava tipos de capital econômico e cultural.

Ao controlar a produção do conhecimento técnico era importante para a produção sistemática de patentes de medicamentos, de instrumental técnico e para a monopolização do mercado, neste aspecto o uso das universidades para gerar e preservar conhecimento técnico foi e continua sendo bastante eficaz.

Precisamos ver as escolas tanto como instituições produtivas quanto distributivas. Elas ajudam a manter uma distinção que está no centro da divisão social do trabalho mental e manual.

Aqueles que rejeitam ou são rejeitados por esse cálculo particular de valores são "colocados" como forma de trabalho excedente sob aspecto de serviço e/ou de trabalho manual, estão nos serviços públicos de medicina nos pequenos consultórios do interior. E aqueles indivíduos que não são "visto" como contribuindo para a maximização da produção de conhecimento técnico/administrativo são considerados como desajustados ou incompetentes, por causa da divisão generalizada entre trabalho mental e trabalho manual, os trabalhos geralmente acabam por ser privados do conhecimento necessário tanto para compreender quanto para dirigir aspectos importantes do processo de produção.

Essa relação entre acumulação de capital econômico e acumulação de capital cultural significa que não é essencial, da perspectiva do capital, que todos tenham um conhecimento técnico refinado em suas cabeças, por assim, o êxito torna-se outra vez ligado à origem social, poderíamos traçar a hipótese de que o conhecimento técnico funciona através das escolas como uma força de reserva de conhecimento, da mesma forma que a economia necessita de uma força de reserva de trabalhadores. Ambas as reservas exercerão importante papel numa crise econômica, isto é, denominação capitalista do controle, do uso e da acumulação final do conhecimento técnico estabelece os limites sobre as formas que ele assumirá nessa sociedade e também sobre os tipos de conhecimento e de pessoas considerados como legítimos na escola das sociedades capitalistas.

Está assim explicado porque não há interesse em valorizar o ensino disciplinas de conteúdo humanístico como da ética profissional ,pois ela seria o elemento contestador do sistema e o colocaria em perigo.

O aparato de Estado pode ser visto como relações de denominação de classe, e a intervenção do estado tem crescido, nacionalização de certas indústrias na França e na Itália, de gasto público maciço nos Estados Unidos, o estado subsidia o capital diretamente através de medidas fiscais, envolve o papel de estado em assumir uma parte maior dos custos sociais do capital privado, custos são assumidos pela maioria da população trabalhadora, através do estado.

A intervenção do estado tem outras funções, comercialização de produtos, sua absorção do s trabalhadores "excedentes", através do aumento da proporção de funcionários públicos, assume um papel crescente no que "reprodução da relações sociais". Assim, numerosas leis tendem a reproduzir as formas das relações sociais e contratuais exigidas pelo capital. Pode ser observada: a socialização dos custos e privatização dos lucros e na medicina o processo cada vez é mais fulminante sem que os próprios médicos possam se insurgir contra .

Com o poder crescente da nova pequena burguesia dentro do aparato econômico e cultural, o foco sobre o conhecimento técnico/ administrativo permite à escola fazer duas coisas. Ela aumenta sua própria legitimidade perante esse importante segmento de classe e, o que é tão importante quanto isso, permite que esse mesmo segmento de classe use o aparato educacional para reproduzir a si mesmo. A escola não responde apenas às "necessidades do capital", ela tem também que manter sua própria legitimidade perante seus outros clientes, a ideologia dominante incluem a ênfase na educação baseada na "competência", instrução sistêmica, educação profissionalizante, significa um ritmo crescente de intervenção do estado e cada uma dessas intervenções é planejada tendo em vista duas finalidades: tanto para não pôr em riso o funcionamento básico do aparato econômico quanto pra manter a legitimidade das instituições políticas.

O estado intervém para sustentar a produção a legitimação e a acumulação e para aliviar os piores efeitos da "má distribuição". Também nessa esfera o estado atuará para remediar os resultados negativos produzidos, nem que seja apenas para manter sua própria legitimidade.

Aqueles grupos de pessoas que não "podem" contribuir para a maximização de sua produção são rotulados e estratificados.Eles tornam-se então "beneficiários" de quantidades relativamente pequenas do dinheiro do estado.

As escolas estão de forma geral organizadas, não para a distribuição generalizada de mercadorias culturais, mas para a produção por parte do capital e da nova pequena burguesia.

Uma ordem social injusta reproduz a si mesma envolve a seleção, organização, produção, acumulação e controle de tipos específicos de capital cultural, como a escola, que estão parcialmente organizadas para produzir este tipo de mercadoria cultural, o contexto dos arranjos sociais que determinam os usos que serão feitos das mercadorias.

Nesse ponto se explica porque cada vez mais o Estado autoriza e estimula a criação de novas escolas médicas.

Às vezes envolvia com pouca esperança de solução, a escola deve contribuir para o processo de acumulação, produzindo tanto os agentes para um mercado de trabalho hierarquizado quanto o capital cultural do conhecimento técnico/administrativo devem legitimar as ideologias de igualdade e mobilidade de classe.

A necessidade de eficiência econômica e ideológica e de uma produção estável tende a estar em conflito com as outras necessidades políticas.

Os princípios da correspondência que vinculam a atividade das escolas diretamente com as necessidades da economia capitalista.

Nossas instituições educacionais podem conceder um tratamento diferenciado aos estudantes de acordo com sua classe, gênero e raça, contribuindo assim para reproduzir a divisão social do trabalho. Assim as práticas pedagógicas médicas usadas são responsáveis em boa parte pelo fenômeno que faz com que os estudantes internalizem o fracasso, vendo esse processo de classificação como um problema individual, sua trajetória moral é tal que eles viverão o papel atribuído pelo rótulo, mas uma disciplina curricular que trate da ética profissional e da política de saúde, que os motive para a crítica e para a percepção da realidade poderia desmontar ou pelo menos discutir criticamente o modelo.

Mas também como um sistema específico de produção, a interpretação entre a reprodução cultural e a reprodução econômica de nossa sociedade, aquelas que focalizam a distribuição têm se constituído em uma eficaz, embora sutil, forma de controle social. Elas organizam nosso pensamento e nossas análises sobre as escolas como se elas fossem planejadas como mecanismos de distribuição. Sob um aspecto, elas o são. Foco colocado na distribuição tem nesses aspectos tornarão as escolas mais eficientes na distribuição da informação supostamente neutra, a favor de uma perspectiva que examine as escolas como aspectos de um conjunto de arranjos produtivos, afirmei também que o estado assumirá um papel progressivamente importante.

Conhecimento como uma forma de capital da cultura como uma mercadoria que possamos ignorar as relações que as escolas têm com o modo econômico de produção no qual elas existem.

Em outras palavras, o processo de inovação tecnológica na medicina pode ser eficaz apenas sob condições de produção, que fogem à lógica capitalista que deva haver uma boa dose de iniciativa no processo de produção.

Uma vez que o capital molda a sociedade, o estado é usado cada vez mais como um mecanismo básico para absorver, atenuar e regular as contradições que surgem no processo de acumulação, e o estudante de medicina seria uma peça útil para manter os privilégios . Entretanto, o estado não é puramente um aparato regulatório capitalista. Ele expressa as contradições da sociedade e deve também exercer as funções de legitimar os interesses dominantes e de integrar as classes dominadas ao sistema, mas só será possível com o amadurecimento do aluno e sua real motivação para uma nova forma de aprender e perceber a realidade do nosso povo miserável e explorado.

A intervenção crescente do estado para apoiar a lógica capitalista enfraquece a base de sua legitimidade como representante do interesse geral e isto precisa ser denunciado em todas as escolas.

Isso pode ser feito através da criação de novas filosofia das escolas ou através de um trabalho político nas instituições existentes que treinem médicos não para a indústria mas para atender as necessidades do povo.

Os educadores politicamente conscientes podem começar a demonstrar algumas das relações estruturais entre as formas pela quais as escolas agora funcionam e a reprodução da desigualdade, contribuindo, assim, para a formação de vínculos entre professores progressistas e esses grupos.

 

5 Conclusão

Para uns as escolas são veículos de democracia baseados no mérito para outros as escolas são mecanismos para a reprodução da divisão do trabalho.

A escola é o veículo para perpetuar o processo de mercantilização da cultura e manutenção das classes sociais e ideologia dominante e o fez oferecendo as razões culturais e econômicas reproduzindo as práticas cotidianas.

Aqueles indivíduos que não participam nem reproduzem o modelo estabelecido pela ideologia política dominante são rotulados de "desajustados" ou "incompetentes" e a escola passa aniquilá-los convencendo-os que são diferentes ou incapazes e não são aceitos pois não se enquadram nos padrões robotizados que a escola que formar. A prática demonstra que não tem havido diminuição da correlação entre origem social e êxito escolar que continua sendo em regra reserva dos àqueles que vão ajudar a manter os privilégios que eles mesmo já detém e não querem dividir.

Assim as escolas sendo órgãos reprodutivos ajudam a manter o sistema, e hegemonia ideológica e econômica e o faz procurando manter o controle do conhecimento para através dele manter o controle do poder econômico.

As escolas não se preocupam com a mobilidade generalizado ou democratizado do conhecimento mas sim atuam como mecanismo de classificação, é a mesma idéia de Bourdier que argumenta que a escola mantém a forma de dominação com o passe do capital cultura.

A escola mantém o capital cultural através desta dominação e divisão de classes distanciando cada vez mais o acesso ao capital econômico e possa produzir mercadoria cultural exigida pelo sistema e sua perpetuação.

No sistema capitalista a escola, entre elas a médica, é o instrumento para propiciar lucro acessível apenas a determinadas classe portadora do capital econômico, descriminando esse acesso através do capital cultural e na manutenção da reserva de um contingente de trabalhadores através da pobreza, doença, desemprego e sub-emprego e dessa forma assegurando a classe dominante a manutenção do lucro induzindo que a medicina é tecnologia e tenta aniquilar a relação médico- paciente. Essa produção de mercadoria da cultura é exigida pelo capitalismo que o faz níveis elevados de conhecimento técnico para manter o aparato econômico.

Essa mercadoria do conhecimento é um produto economicamente essencial e isto pode ser sentido nas indústrias de laboratórios de medicamentos, portanto o conhecimento técnico tem sido produzido e organizado e passa beneficiar os interesses empresariais, e que leva a um controle não simplesmente do mercado equipamento ou instalações mas sim da própria ciência, que deixou de ser neutra.

Assim a escola referenda a tese do investimento em tecnologia e proporciona o controle da ciência através das patentes monopolizando o mercado criando assim uma reserva do conhecimento técnico.

O interesse da maioria da classe trabalhadora necessita ser identificado com o interesse nacional , pensar um projeto de currículo que permita a compreensão das grandes questões sociais e éticas; é libertar a Universidade das determinações do mercado .

A escola reforça o modelo ao ajudar a manter a distinção entre trabalho mental e trabalho manual o primeiro reservado aos ajustados ao sistema e o segundo aos desajustados ou aqueles que não tiveram a oportunidade de acesso, sendo a estes privados do conhecimento para compreender e dirigir o processo de produção, ou seja a passagem de trabalhador de massa a dirigente

O próprio sistema econômico reproduzido na escola faz com que aumente cada vez mais a distância das classes pensante da trabalhadora, infelizmente a escola tem papel fundamental legitimando a subordinação do trabalhador ao capital.

O capitalismo sobrevive de crises e para se manter necessita de um contingente de reserva de conhecimento e reserva de trabalhadores.

A reserva do conhecimento se faz com o acesso restrito a tecnologia e a reserva econômica sobrevive com a manutenção de uma reserva de trabalhadores ávidos a participar do sistema.

O projeto genoma humano que representou o mapeamento do código genético, ainda não descobriu a proteina que é produzida por cada gene que explicará a causa da doença, permitirá a curto tempo o diagnóstico precoce e preventivo e irá alterar os hábitos e a vida das pessoas .

Aonde estão os limites para a ciência?, será o poder econômico que ditará as regras ? Quem nos garante um plano de saúde se a genética me considerará economicamente inviável?

Não basta mais ao profissional da saúde o conhecimento científico , é preciso que ele possa compreender os problema sociais e políticos só possível com uma mudança radical do conhecimento escolar.

Em resumo os conteúdos do conhecimento transmitidos nas escolas médicas são determinados pelos padrões estruturais da sociedade capitalista através do controle, uso e acumulação do conhecimento técnico definindo os tipos de conhecimento ou interessam ao sistema e as pessoas consideradas ajustadas os quais irão manter o sistema e seus privilégios.

O Estado funciona e está organizado como mecanismo de dominação de classe.

A intervenção do Estado vem crescendo e se torna imprescindível no capitalismo o aceso a saúde através do capital através de medidas fiscais e assumindo a maior parte dos custos sociais do capital privado, na realidade estes custos acabam sendo assumidos pela população trabalhadora.

Na prática o Estado sustenta o processo de acumulação de capital, fornece serviços, cria mercados, assume o excedente de funcionários criando uma tendência sistemática de socialização dos custos e privatização dos lucros e delega as empresas médicas o custo e o lucro da saúde do trabalhador, função que deveria ser do Sistema Único de Saúde .

O foco do conhecimento aumenta a legitimidade do Estado e permite a burguesia usar o aparato educacional para reproduzir a si mesmo.

A escola recebe a intervenção do Estado que tenta maximizar a produção de agente e conhecimento exigido pela economia, para não por em risco o sistema e legitimar as instituições políticas.

As práticas pedagógicas e curriculares são responsáveis pelo desajustamento de alguns estudantes face ao rótulo de fracasso pessoal que a escola lhe imprime.

Os educadores médicos conscientes devem demonstrar algumas das relações estruturais entre as formas pelas quais as escolas funcionam e reproduzem as desigualdades.

A disciplina de bioética pode ser uma fonte demonstradora de desencontros entre a medicina e o sistema de ensino superior da saúde, pode permitir uma visão mais real e critica , procurando demonstrar que esta ciência pode ser exercida ouvindo o doente , percebendo os sinais e sintomas e solicitando exames complementares absolutamente necessários e sem uma dependência viciada da tecnologia.

Esta disciplina tem o sonho de intervir na construção de uma nova sociedade cujo referencial é a dignidade da pessoa humana.

A bioética sendo uma ciência muldisciplinar permitirá uma abordagem mais humana do doente e fará com que o estudante veja o paciente como cidadão , sujeito de direitos que devem ser respeitados de maneira absoluta com base no princípio da autonomia . O médico do futuro próximo poderá enfim compreender que a medicina se faz com ciência , poder e arte, mais principalmente com ética princípio de respeitabilidade , solidariedade , base dos preceitos do homem e fonte legitimadora do direito.

 

 

 

6 Bibliografia

1-- APPLE, Michael W. - Educação e Poder. Porto Alegre. 1989

2- BOURDIEU, Pierre - A Economia das Trocas Simbólicas.

3- SACRIGTAN, J. Giwett / Gomes. A. Peres. ¿Que Ensenán las Escuelas?

4- VOESE, Ingo - Mediação dos Conflitos. Como Negociação dos Sentidos. Curitiba, 2000-06-20

5- VOESE, Ingo - Linguagem e Argumentação Jurídica.

 


 

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